sábado, 10 de fevereiro de 2018

Carnaval: pão e circo e seus contrassensos.



Foto extraída da internet
"tanto riso, oh tanta alegria, mais de mil palhaços no salão, Arlequim está chorando pelo amor da Colombina, no meio da multidão...” Bem, nem tudo é alegria nos dias de folia na festa do Rei Momo, apesar de todo o colorido, das músicas agitadas e das fantasias aberrantes, o saldo do carnaval é algo amargo, indigesto e real.


Tecer comentários sobre o carnaval é algo antagônico, ou se exalta a festança exacerbada que explode Brasil inteiro ou se ressalta um lado que muitos enxergam, mas tentam ignorar.  O carnaval é uma festa popular, que já faz parte do calendário de feriados em nossa nação, e que baita de feriado, feriadão, afinal de contas, oficialmente, a nação brasileira simplesmente para durante quatro dias e meio (tem ainda a quarta-feira de cinzas, lembram?) para dar passagem à folia de momo, e a palavra de ordem é: liberar geral!


Do Oiapoque ao Chui, o povo brasileiro, ou a grande maioria dele, se entrega de corpo e alma às festividades carnavalescas, seja no maior bloco do mundo que é o Galo da Madrugada que arrebanha mais de um milhão de pessoas no centro do Recife, seja subindo as ladeiras de Olinda atrás das troças de frevo ou dos bonecos gigantes, seja no suingue do axé nos trios elétricos na Bahia, seja em sambódromos como em São Paulo e Rio para prestigiar as agremiações de samba, seja em polos armados nas capitais onde desfilam artistas dos mais diferenciados ritmos e segmentos se apresentam, seja em clubes revivendo marchinhas antigas, ou simplesmente nos bairros e ruas de nossas cidades nas brincadeiras simplórias de molha molha, mela mela, enfim, as alternativas são infindas, tem folia para todo mundo, ninguém fica de fora, pois o carnaval é uma festa democrática.


Mas afinal, será que durante esses dias no qual a nação está entregue ao rei Momo, só é alegria e diversão? Bem, não é bem assim, para que o Brasil pare a sua economia e demais áreas para propiciar um feriadão de folia para o povão, há um preço pago que é alto, altíssimo, e a conta é amarga, porém, esse lado nefasto não é muitas vezes explicitado na mídia, pois é assombroso. Comecemos pela segurança, lógico que, em todo evento aberto há violência, no entanto, no carnaval, os assaltos, estupros, homicídios, arrombamentos de residências, brigas e afins atingem picos altíssimos. Os hospitais superlotam com pessoas feridas, passando mal devido a overdoses de bebidas e drogas, e depois que o feriadão é findado, continua o fluxo de pessoas acometidas por doenças e vírus adquiridos no evento.


A depredação a prédios públicos e privados também fazem parte da festança, alguns foliões, ensandecidos, bêbados e drogados saem a esmo destruindo tudo o que veem pela frente, e os prejuízos muitas vezes nem conseguem ser contabilizados. A sujeira e a imundícia toma conta dos grandes e pequenos centros e o acúmulo de lixo que é produzido neste período é absurdo, e cidades onde essa festa é tradição como Recife, Olinda, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo viram verdadeiros lixões a céu aberto.

O carnaval é uma festa que, ao contrario do que muitos pensam, vem também para desestruturar vidas e famílias Brasil afora. Neste período, traições e adultérios são consumados de forma banal e em números absurdos, os níveis de alcoolismo e consumo de drogas vão à estratosfera, os vírus e doenças venéreas se alastram absurdamente, as rusgas e desavenças nos lares desestruturam os relacionamentos, namoros, noivados e casamentos são desfeitos, as delegacias não cessam de receber vítimas de furtos e roubos, turistas estrangeiros desembarcam em nosso país somente com o intuito de endossar o ‘turismo sexual’, o trânsito é mudado e desviado drasticamente causando transtornos na trajetória de milhares de pessoas que precisam trabalhar ou chegar ou sair de suas casas, isso sem contar os exacerbados gastos públicos onde milhões e milhões de reais são retirados do erário para ser injetado no carnaval, seja para montar estruturas e decoração atípica, ou também para pagar cachês milionários a artistas que, por uma hora de show conseguem arrematar a bagatela de 200, 300 mil reais, ou mais, dependendo do artista, dinheiro esse que poderia muito bem ser investido no sucateado sistema de saúde ou na educação. Esta conta é alta, e quem patrocina é o folião que, se diverte durante os quatro dias de festa, e caso precise de algum atendimento médico devido a algum acidente causado durante a festa, irá amargar o péssimo atendimento do SUS, que poderia ter uma estrutura muito melhor caso todo esse derrame de dinheiro público fosse canalizado para o melhoramento de sua estrutura.

Bem, eu poderia escrever parágrafos a fio sobre esse lado nefasto do carnaval, mas ai você pode me indagar: “mas Cheng, deixa de ser pessimista e extremista, muita gente boa sai de casa, brinca o carnaval e volta numa boa, afinal de contas, é um feriado merecido e uma festa que está arraigada na cultura brasileira”, beleza, lógico que muita gente brinca numa boa, sem violência, e que, sem dúvida, esse feriadão serve para revigorar as forças de boa parte da população brasileira, mas para que isso aconteça, há uma conta muito alta a ser paga por isso, e muita dor, sofrimento e pranto precisa coexistir para que o carnaval alegre a população, e quando a quarta-feira ingrata chegar, e na quinta-feira recomeçarmos a nossa rotina, esses quatro dias onde serviu de válvula de escape para fugirmos de nossas (muitas vezes) tristes realidades se dissipará e, em muitos casos, a triste realidade só irá se acentuar devido a algum assalto sofrido, um vírus ou doença adquirida, uma separação ou adultério consumado ou qualquer outro infortúnio causado nos dias de folia, mas isso não importa, o que vale mesmo é a alegria, a animação e tudo isso faz parte, afinal de contas, como diz o adágio popular: “nós sofre, mas nós goza”.




Paulo Cheng

Um comentário:

  1. Apesar de não gostar de carnaval e achar que nosso país não está nada bem, desejo apenas que ele transcorra na maior paz! abração,chica

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