sábado, 7 de outubro de 2017

Tudo passa

Photo by Paulo Cheng
O tic tac do relógio temporal é inclemente, a cada tic, subtrai uma fatia do tempo, e a cada tac, suprime os nossos escassos momentos vitais. A finitude da vida é implacável, não privilegia uns em detrimento de outros, todos estão debaixo da inexorabilidade da brevidade da vida, o tempo, como senhor supremo, norteia os nossos passos, direciona as nossas sendas, e mitiga as nossas ações. Somos subservientes deste senhor chamado tempo, escravos de sua volição, e vassalos dos seus caprichos.

A finitude da vida nos convida a remirmos o tempo, a sermos seletivos em nossas prioridades, e a elegermos primazias. Já nascemos fadados ao desgaste do tempo, e paradoxalmente, já nascemos morrendo. A utopia onírica peterpaniana não se sustenta ante o surgimento das primeiras rugas faciais, e o anseio filosófico do “forever young” só se perpetua nas rimas poéticas musicais. Um dos grandes mistérios da humanidade e um nó górdio a ser desatado são as inquirições acerca da eternidade. Anelamos ser eternos, aspiramos sermos imortais, e ambicionamos viver para sempre. E mesmo diante desses desejos intrínsecos de sofreguidão pelo infindo, somos confrontados pelo choque de realidade da finitude da vida, sim, tudo se encaminha para o seu momento derradeiro, tudo se direciona para o caos final, e tudo se converge para a frieza cinza e insólita de uma tumba soturna.

Somos efêmeros, e os nossos devaneios onipotentes mais exacerbados se dissipam em um leito de hospital ou numa fria sala de UTI. Toda a arrogância do soberbo, a indiferença do abastado, e a altivez do pedante repousam humildemente numa lápide sepulcral. Por mais que nos apeguemos à vida, e por mais que cada célula de nosso corpo clame pela continuidade da existência, lenta e impiedosamente o tempo nos compele para o arrefecimento de nossa vivência, pois biologicamente não somos estruturados para se perpetuar no tempo e no espaço, sobrando somente estas perspectivas para o campo metafísico.

Tudo passa, o café esfria, o vinho esquenta, os cabelos embranquecem, a visão fica turva, as rugas se proliferam na face, as tecnologias se tornam obsoletas, as modas se tornam retrô, o cigarro apaga, as celulites e as estrias se proliferam, e as gerações se sucedem. O tempo não para, e o hoje se torna ontem em fração de segundos, e o amanhã se torna hoje a cada momento. A fugacidade da vida e a efemeridade da existência nos convida a priorizarmos essencialidades, e a remirmos o tempo, aliás, o tempo é o bem não renovável mais precioso que temos, podemos perder e recuperar dinheiro, bens, pessoas ou circunstâncias, todavia, um milésimo de segundo que passou jamais o recuperamos, e a ampulheta do tempo continua a esvaziar os seus grãos de forma inexorável.

Na fina fatia de tempo denominada vida, o tempo se encarrega de suprimir a utopia da eterna juventude à medida em que os anos se sucedem. Todos nós estamos fadados ao caos existencial, e nos encaminhamos lenta e gradativamente pela senda do crepúsculo vital, onde as cortinas do tempo se fecham lentamente, finalizando o espetáculo da vida. Tudo passa, e até as reminiscências e os vestígios de nossa passagem nesta vida, e por mais que tentemos postergar a nossa estada por aqui, e por mais que nos empenhemos em nossos feitos no sentido de deixarmos um legado, tudo passa, e seremos imergidos no vácuo do esquecimento existencial, pois afinal de contas, tudo passa


Paulo Cheng 

Um comentário:

  1. Tanta verdade, Paulo! Tuuuuuuuudo passa mesmo... Por isso, não podemos perder as chances que a vida coloca diante de nós... Viver o melhor possível sempre. Depois pode ser tarde ou não ter mais graça! abraços, chica e tudo de bom!

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