terça-feira, 15 de novembro de 2016

Garimpeiros de vida


A vida é um dom imarcescível de Deus, algo que nos é legado de forma gratuita, espontânea, e mesmo sendo fugaz, queremos que ela se estenda ao máximo possível, e mesmo que cada um tenha suas convicções religiosas sobre o pós-morte, inegavelmente somos apegados a esse plano terreno, sim, todos, sem exceção, nutrimos um apego visceral para com a vida, e ninguém deseja morrer.

Mesmo que a vida não privilegie a alguns de forma igualitária, pois há pessoas que nascem em circunstâncias menos favoráveis, seja em extrema pobreza ou como portadoras de doenças incuráveis, ou até mesmo com deficiências que as limitam de agirem normalmente como a maioria das outras, ainda sim somos apaixonados pela vida, e quando nos deparamos com o fim derradeiro, seja de algum parente, amigo ou até de pessoas desconhecidas, refletimos no quão tênue é a linha que separa esta existência da do porvir, e nos inquietamos em saber que, não sabemos o dia e a circunstância no qual o nosso coração dará sua última batida, nem em que o nosso fôlego dará sua derradeira respirada, esta é o mais inquietante dos mistérios.

Não obstante, há pessoas que não conseguem gozar do mais belo das dádivas que é a vida, e fazem de cada momento existencial um deserto árido, onde gravitam em torno de problemas, onde sintomatizam cada dificuldade como se fosse o fim, e não conseguem enxergar o belo que, que gratuita e singelamente nos circunda, como um espetáculo mágico que o Criador oferece àqueles que possuem um olhar e uma alma mais aguçada.

Para viver intensamente e em plenitude não é prerrogativa possuir bens ou ter dinheiro, para aqueles que pensam que viver bem significa sinônimo de bem estar material, incorrem em um ledo engano, a beleza da vida na maioria das vezes se camufla nas coisas singelas e gratuitas, e que nos circundam, basta tão somente termos sensibilidade e um olhar mais minucioso.

Para viver e extrair ao máximo da beleza inefável a ela inerente basta que sejamos garimpeiros de vida, onde o singelo equivale a uma pepita de ouro de inestimável valor, e há ouro por toda parte, como um por do sol que apreciamos, uma caminhada na beira da praia ao entardecer, uma corrida bem cedo de manhã, ou quando saímos para fotografar a natureza.

Somos garimpeiros de vida quando observamos com singeleza o mundo mágico das crianças, quando contemplamos o cair da chuva sem murmurarmos, quando admiramos de forma perplexa o arco íris furta cor, ou quando nos emocionamos com uma canção que exalte o amor entre um homem e uma mulher.

Somos garimpeiros de vida quando tratamos a pessoa amada com carinho e romantismo, quando alimentamos a um faminto e extraímos um sorriso de seus lábios, quando abraçamos com força a quem não conhecemos, transmitindo-lhe calor humano, e quando louvamos a Deus ao ver seu poder sendo traduzido em cada ser humano que produz um belo quadro, que compõe uma bela canção, que potencializa o vigor de seu corpo através do esporte, que externa toda a emoção através de sua voz numa canção, ou quaisquer manifestações de arte ou beleza que os seres humanos possam produzir, somos garimpeiros de vida quando priorizamos o belo e o singelo em nossas vidas, fazendo deste efêmero e antagônico momento existencial, algo que valha à pena, pois o Criador nos relegou o seu maior dom: a vida.




Paulo Cheng

2 comentários:

  1. Que lindo,Paulo! Sempre bem inspirado e com mensagens positivas! Valeu mais essa e sigamos garimpando o bem pela vida afora! abração, chica

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