terça-feira, 30 de outubro de 2012

Fé, lágrimas e utopia

Ed René Kivitz


Eu também tenho mais perguntas do que respostas. Mas das respostas já não faço questão. Madame Guyon disse que “se as respostas às perguntas da vida são absolutamente necessárias para você, então esqueça a viagem. Você nunca chegará lá, pois esta é uma viagem de incógnitas, de perguntas sem resposta, de enigmas, de coisas incompreensíveis e, principalmente, injustas”.


Andamos por fé. A fé não tem a ver com certezas, mas com confiança. Confiança em Deus, seu caráter justo, amoroso e bom. Jesus também fez uma pergunta e não obteve resposta. O que lhe doía não era a a falta de explicações, mas o desamparo.
No dia da tragédia não precisamos de respostas, precisamos de alguém. Deus é suficiente para compreender nossa perplexidade, assumir posição de réu sob nossas dúvidas, e sofrer o peso da nossa dor. Assim creram os antigos: Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na tribulação, pois nem a morte, pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Eu também choro. Sei que a vida continua, que não posso ficar preso ao passado, que devo levantar a cabeça e seguir em frente, que tenho ainda minha própria vida para viver… Mas antes preciso chorar. Preciso acolher meu sofrimento, dar a ele boas vindas, permitir que a tragédia faça seu caminho até o mais profundo do meu coração, fazer com que a dor traga de volta lembranças abafadas pela correria da vida, promova arrependimentos, desperte sonhos adormecidos, traga para a luz memórias de afeto e alegria.
Assim posso purgar tudo isso sem medo, vencer a escuridão com a coragem de chorar. Oferecer minhas lágrimas como a mais legítima das orações e o meu pranto como o mais sublime tributo de amor. Jesus também chorou diante da morte. Deus é suficiente para nos outorgar perdão, redimir palavras e gestos, recolher as palavras e gestos que jamais deveriam ter ganho concreção, e dar destino ao que ficou por dizer e fazer. Deus é bom e sabe amar, capaz de enxugar nossas lágrimas e dar sentido e significado ao nosso sofrimento. Assim creram os antigos: a tribulação produz.

Eu também fico indignado. Também não me conformo com os desmandos de um país que agoniza sob incompetências, negligências, imperícias, imprudências, e, principalmente, a corrupção sistêmica e a injustificada impunidade. Mas não vou permitir que isso me torne cínico e cético. Vou dar mais ouvidos aos idealistas, me agarrar às forças das utopias, me deixar levar nas asas da esperança.
Vou arregaçar as mangas, arar a terra e semear o solo regado com o sangue dos justos e inocentes. Vou repartir como meu próximo os frutos do meu sofrimento, compartilhar o labor com tantos irmãos que ainda não se curvaram diante da mediocridade, não se deixaram vencer pelas forças das trevas, e não se intimidaram face aos promotores e mantenedores da morte.
Jesus também sofreu, e não desistiu. Jesus também morreu. E sua ressurreição é não apenas convocação para a luta, mas garantia de vitória. Assim creram os antigos: eu sei que meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra!


Texto do Ed René Kivitz

8 comentários:

  1. Muito lindo esse texto.Bela reflexão!Ótimo resto de semana! abraços,chica

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    1. Chica, obrigado, e um resto de semana legal pra ti também.

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  2. Mais um belo texto que vc escolhe pra colocar em seu blog Chengão! Sabe que vc daria um belo dum editor de revistas?

    Um abraço!

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    1. Oba, quanto seria o salário? kkkkkkkkkk


      Abração pra ti Mansim.

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  3. Paulo, aí está mais uma bela reflexão que o amigo coloca para os seus leitores, sempre sabedores que no seu espaço encontrarão uma boa leva de relevantes conteúdos que contribuem para a qualidade daquilo que o seu blog é e exige. Parabéns. Um grande abraço.

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    1. Grande PC, gosto de selecionar alguns textos de terceiros e postá-los aqui, até pra diversificar as postagens, pois escrever um texto a cada 2 ou 3 dias já não está tão fácil pra mim ultimamente.

      Abração pra ti.

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  4. Oi Cheng
    Muito bom o texto, vc além de escrever muito bem, ainda seleciona bem os textos que coloca em seu blog. Bem reflexivo! Mais uma vez, eu é quem agradeço o carinho da entrevista, acho que foi muito divertido ver a interação dos amigos comigo virtualmente! Tudo isso graças a vc, meu irmão de fé.
    Bjão para ti e para Michel. Fiquem com Deus!

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    1. Lu amiga, que bom que gostou do texto, esse escolhi a dedo, e além do pr. Gondim, gosto dos textos do Ed René Kivitz, sempre reflexivos e bem escritos.

      Abração.

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