domingo, 17 de abril de 2011

17 de Abril de 2011, 20 anos sem meu pai.



No dia 17 de abril de 1991, uma quarta-feira, foi um dia fatídico para mim. Neste dia eu perdia meu pai, na época eu estava com 19 anos e foi um choque tremendo pra mim.

A figura de um pai é imprescindível para a formação e educação de um filho, além de ser um referencial e um espelho a ser seguido e imitado em alguns casos. Quando crianças, a presença do pai inspira confiança, segurança e nos dá uma sensação de proteção e tranqüilidade que contribui para que essa fase áurea de nossas vidas seja a mais especial, inesquecível.

Quando adolescentes, a figura incontestável e heróica paterna começa a ser confrontada com nossas rebeldias onipotentes e utópicas. Já quando atingimos a fase adulta, começamos a ver nossos super heróis de uma forma diferente, percebemos seus erros, temores, pontos fracos e fortes nunca percebidos até então. A fantasia do superman começa a desvanecer e entra em cena o amigo, o confidente, o parceiro, o homem.

Meu pai foi um homem bom e legal. Não é por que era meu pai, mas era um homem muito inteligente e instruído. Era perito da Polícia Civil, também desenhava retratos falados em alguns casos e desenho arquitetônico (planta de casas), também amava palavras cruzadas e lia muito. Talvez tenha herdado essa paixão pela leitura dele.

O velho “Costinha” como era apelidado foi um pai supridor, bem nos moldes antigos. Não deixava faltar nada, mas no lado emocional e afetivo deixou um pouco a desejar. Aquelas conversas bem abertas de pai para filho onde rolava trocas de experiências eram raras. Passamos momentos inesquecíveis, no qual foram decisivos para a minha formação. Aprendi muitas lições de vida e de moral com ele que, de certa forma, ajudaram a solidificar meu caráter. Ouvia ele vaticinar bilhões de vezes que as amizades bem selecionadas seriam fundamentais para a nossa formação. Graças a Deus aprendi cedo e rápido essa máxima e não me arrependi.

Naquele dia 17 de abril, há 20 anos, me lembro como se fosse hoje, por complicações oriundas da bebida, meu velho veio a óbito em um hospital onde estava já internado aqui em Recife. No dia anterior eu fui o último da família a vê-lo com vida. Morreu jovem com 42 anos. Sempre fico imaginando como seria tê-lo aqui vivo. Gostaria muito de vê-lo presenciar meu crescimento na fase adulta, minhas vitórias, meus fracassos, meu casamento com Michel Cheng, enfim, poder ter convivido um pouco mais com ele. Infelizmente isso vai ficar só no campo da utopia, mas o que há de real é uma saudade que me acompanhará por todos os dias de minha vida. VALEU VELHÃO, POR TUDO, NÃO FOI EM VÃO!

Texto de Paulo Cheng

Abaixo trago uma lembrança dele, acho que em 88 ele comprou um cassete dos Paralamas do Sucesso, o disco era Bora Bora, e separei um vídeo desse disco para relembrar.



18 comentários:

  1. Este é um texto auto-reflexivo. Na verdade foi um pouco difícil escrevê-lo pelo fato do tempo ter apagado alguns vestígios do relacionamento com meu pai. Só há lembranças de tudo aquilo que vivenciamos juntos, mas parece algo tão utópico, que não aconteceu...

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  2. Como é estranho nosso interior,não?

    Ficam lembranças, saudades, momentos, tudo junto num emaranhado e ainda dóem...Linda homenagem!abraços,chica

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  3. Justa homenagem.

    Se um dia eu tiver um filho, quero ser capaz de deixar nele um pouquinho de mim como seu pai deixou em você.

    Seu pai claramente obteve - se não em tudo - em muito, sucesso na "carreira" de pai: deixou lições importantes e ajudou a moldar o caráter e a personalidade daqueles que levarão um tantinho dele para sempre.

    Forte Abraço.
    Lílian Buzzetto
    Do Mulherices.
    [Se puder, de um pulo por lá!]

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  4. Marcelo Crispim - Santa Catarina

    Também perdi meu pai há um tempão e essas lembranças ficam guardadas em nossas vidas. Quando perdemos nossos pais pequenos, o impacto quando adultos não é tão grande, mas quando já nos acostumamos com eles, e os perdemos, fica um vazio grande. Um lindo texto e muito bem escrito, parabéns Paulo Cheng, e ótimo gosto seu pai tinha, Paralamas, gosto dessa música também.

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  5. Lindo, Paulo!
    Triste quando alguém se vai antes da hora e deixa uma lacuna tão grande em nossas vidas. Existem lembranças que, por mais que o tempo passe, jamais serão apagadas. E é bom que você tenha somente boas recordações o teu pai a ponto de dedicar-lhe essa bela homenagem.
    Beijo!

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  6. A morte é algo que nunca vamos compreender. Por mais que ela esteja presente, é algo que nenhum ser humano se acostuma ou aceita. Bela lembrança e uma justa homenagem a áquele que lhe deu a vida. Lindo texto, amei.

    Adriana Dias Lima, Porto Alegre, RS.

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  7. Que chato né Chengão... meu pai faleceu em 95, como isso é chato né?
    As lembranças sempre estarão vivas nas nossas mentes!

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  8. Olá! No momento estou apenas te seguindo, mas prometo voltar e comentar em breve suas postagens!Agradeceria se seguisse o meu blog, assim criamos um vínculo que facilite a divulgação de ambos os blogs! passa lá?
    http://medicinepractises.blogspot.com/

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  9. Muito bom seu texto..
    não sei se há dor maior nesta vida do que perder pai ou mãe..

    apesar de tanto tempo ter se passado, sempre há uma dor que fica.." meus sentimentos "

    http://papiando-adoidado.blogspot.com

    me vista?

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  10. Oi Paulo.
    Ia começar a atualizar meus comentários nos blogs de amigos, agora na segunda-feira, mas não resisti em comentar este teu post em particular.
    A sensação de perda, a mágoa, é algo muito difícil de superar, porque por mais que a gente aceite, fica um vazio, alguma coisa que deve ser preenchida, algo ainda não resolvido. Tudo estranho e esquisito.
    Perdi meu pai em 94, eu tinha então 25 anos, ainda não havia me formado, casado, faltaram coisas para ele vivenciar comigo e ainda tive que completar o trabalho de conclusão, pois ele faleceu 1 mês antes de concluir. Sentei a cabeça no dia posterior ao enterro e escrevi. Prometi a ele que ia tirar 10 e tirei.
    De lá para cá, não parei de escrever.
    Bem.., chorei com teu post, esta é a verdade.
    Abraços.

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  11. Fala Paulo,
    Você escreve que mesmo não tendo aquele velho papo de pai para filho como é importante, sempre aprendeu e muito com ele. É um depoimento muito bonito e numa data que jamais será esquecida por você. Aliás, ele jamais será esquecido, como demonstra aqui.
    Tenho meu pai vivo ainda, ele está com 77 anos. É muito gente boa, militar aposentado. Confesso que na minha juventude quase não tínhamos contato, por causa de minhas várias atividades.
    Principalmente nos anos 70, ele sendo do exército e eu um "esquerdista" músico de rock, imagina o conflito que seria.
    Enfim, com certeza você absorveu a importância de um pai.
    Parabéns pelo depoimento.

    ps: o lay-out do blog está ótimo!

    Grande abraço e boa segunda feira.

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  12. Marcelo Crispim - Santa Catarina.

    Excelente post. Um depoimento intimo, particular e emocionante. Não importa o tempo, mas a saudade de nossos progenitores permanecem em nossos peitos.

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  13. Paulo, realmene deve ser muito difícil uma perda como esta ainda mais numa fase onde queremos nossos pais ao nosso lado, apoiando-nos e divdindo vitórias e "fracassos", como bem disse, mas uma coisa é certa, você, mesmo eu conhecendo somente através do blog, sem dúvida é motivo de grande orgulho, não só para ele mas para as pessoas que estão ao seu redor. Ainda bem que pegou gosto pela leitura, para poder nos presentear com textos tão bem redigios como este.

    Abraço!

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  14. é Paulão....temos algo em comum...perdemos o nossos pais cedo, e ficamos com aquele vazio que nada preenche !

    tenho uma postagem parecida com a sua...

    chama-se "voce não tem que fazer tudo sozinho"

    lembrei dela quando vi seu texto !

    abraço.

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  15. Oi Paulo!
    Olha eu tenho um link aqui que jaudou muita gente a entender o que é cosplay: http://empadinhafrita.blogspot.com/2011/02/o-que-e-cosplay.html
    Sobre Death Note claaaaro que conheço! Adoro a série, até já fiz cosplay de uma personagem, a Misa. Aqui tem o artigo que fiz que sanará todas as suas dúvidas: http://empadinhafrita.blogspot.com/2011/02/death-note.html

    Tenho um outro artigo muito bom que fala sobre a Simbologia em Death Note: http://empadinhafrita.blogspot.com/2010/08/simbologia-em-death-note.html

    http://empadinhafrita.blogspot.com/2010/08/simbologia-em-death-note-ii.html

    Nossa eu não consigo imaginar minha vida sem meu pai..adoro muito ele...

    http://www.empadinhafrita.blogspot.com

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  16. Demais este teu texto. Emocionante, profundo, sentido, bacana, mesmo.
    Eu e a Cissa tivemos um pai que, mais do que um conselheiro (embora fosse um pai presente e que gostava de saber de tudo o que se passava conosco e conversar sobre tudo quanto é assunto, nunca se meteu em nossas escolhas!), foi um verdadeiro exemplo de liderança, bondade, empreendedorismo, inteligência, altivez, dignidade, bom humor e alegria. Esse era o velho Oscar Rodrigues! E faz falta... bahhhhh...

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  17. Nossa, meus pêsames...
    É um assunto mesmo complicado, até de se imaginar!
    Uma ferida, que nunca se cicatriza...

    Beijinhos, e muita força...

    ---
    www.jehjeh.com

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