terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Brasil: o verdadeiro bloco da desilusão

Foto by Paulo Cheng
“Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô, mas que calor, ô ô ô ô ô ô, atravessamos o deserto do Saara, o sol estava quente e queimou a nossa cara...”, e assim prossegue Brasil afora as festividades de momo, onde a palavra de ordem é alegria, divertimento e muita, mas muita animação, é a festa do povo onde as diferenças, a cor, o sexo, o status social e a raça se fundem num todo aglomerado, onde a chusma se esquece de tudo e cae na folia, como se o mundão fosse acabar a manhã.

O que mais me impressiona no Brasil são justamente os antagonismos, e esse paradoxo de consciência onde, mesmo em momentos obscuros, as pessoas se desligam da realidade e adentram em um mundo de faz de contas e, mesmo de forma efêmera, conseguem extrair alegria da tristeza, bonança da escassez, e se entregam à folia como se a nossa nação estivesse dentre as nações com o maior índice de IDH do planeta. Em outros textos já expus minhas impressões sobre o carnaval, porém, neste texto, quero abordar como as pessoas conseguem, mesmo vivendo em situações extenuantes, mesmo desempregadas, mesmo enfrentando crises das mais variadas possível, contribuir para com uma festa que, no fim das contas, não acrescentou nada à nação, no máximo, reforçar para o mundo a condição de um país que, mesmo em meio à pobreza, corrupção e fome, consegue fazer um carnaval onde amealha milhões e milhões de pessoas nas ruas, bebendo, se drogando, enfim, se divertindo.

O Brasil é o país onde a corrupção ultrapassou todos os limites do inimaginável, é o país mais corrupto do planeta, onde estão os políticos mais desonestos do mundo; onde as políticas sociais, a cada momento só conspiram contra a população; aonde a educação vai de mal a pior; onde a saúde está em uma pedra fria de um necrotério; onde a população tem que trabalhar e contribuir por quase 50 anos para se aposentar; onde o salário mínimo não dá para suprir nem 30% das vicissitudes básicas de uma família; onde a população, desarmada por conta da maldita Lei do Desarmamento, está entregue à bandidagem e no qual o Estado não consegue dar condições de segurança minimamente; onde o marxismo cultural tenta, vorazmente, destruir os valores da família, da igreja, e dos costumes ético-morais de nossa sociedade; onde o desemprego tolhe o poder de compra e a dignidade de mais de 12 milhões de brasileiros; e onde as riquezas minerais são vendidas ou dadas de graça aos estrangeiros por conchavos políticos, dentre outras coisas.

Intriga-me a sociedade brasileira estar passando por um momento que, creio eu, seja o mais delicado da história, onde o Executivo, Legislativo e o Judiciário, em complô, se intercalam para cercear os direitos dos cidadãos de bem assim como aniquilar os valores mais basilares e conservadores de nossa sociedade e ver mais da metade desta sociedade submergir em uma festa que dura quatro dias. Deixa-me perplexo o fato de uma nação está em frangalhos, onde nada, absolutamente nada funciona, e ainda assim, a parte majoritária desta população mergulhar em uma festa como se as coisas aqui funcionassem a contento como na Dinamarca, Finlândia ou Suíça, e ver como o doce aroma do lança-perfume da euforia, e o inebriante fragor da magia de momo conseguir anestesiar quaisquer sentimentos de indignação ou lucidez dessas milhões de pessoas que veem no carnaval um momento para extravasar toda a sua insatisfação e indignação por viverem em uma nação onde corrupção, a violência e a maldade subjugam a população como um todo. É a fuga de uma realidade excruciante que, na quarta-feira de cinzas, sobrevém de forma cruel e perversa, conclamando cada folião a se despir de suas fantasias e instrumentos, a assumirem seus papeis na sociedade, onde quem está desempregado continuará a sua sina amarga para conseguir um lugar ao sol, onde o comerciante e proletário retomará sua rotina excruciante em ônibus lotados, trabalho exaustivo e um salário pífio, sim, o carnaval pode até ser bom para muitos, contudo, o que está por vir em nada combina com a magia, a fantasia e os harmônicos ritmos que embalam os quatro dias de momo, onde mais uma vez, o Brasil mostrará ao mundo como é que se faz um verdadeiro carnaval, mesmo que este mesmo Brasil esteja uma verdadeira merda e descendo esgoto abaixo.



Paulo Cheng





quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Carnaval: o doce ópio do povo

Imagem extraída da internet
Falar sobre carnaval é falar sobre antônimos, antíteses, ou você gosta ou não, é extremos, ninguém fica indiferente a essa festa que dura 4 dias (em tese, pois em alguns estados dura o mês todo de fevereiro) e paralisa a nação de um modo geral, tudo para e dá passagem a essa festa, que amealha pessoas de níveis sociais, culturais, ideológicos e filosóficos distintos, é uma festa popular, será?

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Vivendo fora da caixa

Imagen extraída da internet
Viver sempre será uma aventura sinuosa, e por mais que queiramos acertar em tudo, em trilhar a senda da verdade, e se esquivar dos erros e das imprecisões, se faz necessário algumas vezes transgredir algumas regras, burlar o politicamente correto, e ultrapassar alguns limites, ser obcecado em viver uma vida perfeitinha torna-se algo superficial e frustrante, em algumas vezes viver sob risco ou desrespeitar algumas regras torna a vida saborosa, produtiva e mais humana.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

No limiar entre a vida e a morte

Photo by Paulo Cheng
No último domingo (15/01), por volta das 18:30, no trajeto para o trabalho, parei em um posto de gasolina, o mesmo no qual abasteço já há alguns anos, e enquanto estava ao lado da bomba, fui surpreendido com uma arma na cabeça, era um assalto, por sorte, e também proteção divina, não sofri um mal pior, e só levaram o meu celular, depois um misto de raiva e alívio me sobreveio, e depois do ocorrido, inúmeros pensamentos inundaram minha mente.